Bancos lucram, bancários e povo sofrem
Contradição é uma palavra que define bem o sistema financeiro. Um dos setores mais lucrativos e poderosos da economia nacional também é excludente e perverso. Com dinheiro a perder de vista, à custa da exploração, é claro, tem como prioridade o corte de gastos.
Por Ana Beatriz Leal
Contradição é uma palavra que define bem o sistema financeiro. Um dos setores mais lucrativos e poderosos da economia nacional também é excludente e perverso. Com dinheiro a perder de vista, à custa da exploração, é claro, tem como prioridade o corte de gastos.
O setor eliminou, no ano passado, cerca de 8,8 mil postos de trabalho, apesar da criação de vagas no restante da economia formal. No Itaú, cerca de 3.254 empregos foram cortados em 12 meses e 287 agências físicas encerraram as atividades. Em contrapartida, o banco registrou lucro líquido gerencial de mais de R$ 34 bilhões nos nove primeiros meses de 2025.
A tendência se repete em outras empresas. No Santander, em 12 meses encerrados em setembro, 3.288 postos de trabalho deixaram de existir, 2.171 apenas entre julho e setembro. O lucro, no entanto, chegou a R$ 11,529 bilhões.
O Bradesco também obteve lucratividade invejável, de R$ 18,1 bilhões em nove meses, com uma ofensiva nas demissões. Nos últimos cinco anos, o banco demitiu mais de 25 mil funcionários e fechou mais de 2 mil agências em todo o país.
Longe de ser crise econômica, a postura dos bancos visa apenas ampliar a robustez dos lucros, através do desmonte de estruturas humanas e físicas. O impacto é grande.
Evidentemente, muitos bancários perdem o emprego, já entre os que ficam nas agências não faltam relatos de pressão por metas, que resultam em sofrimento e adoecimento. Para os clientes, sobretudo os idosos e moradores de municípios menores, o fechamento de agências significa perda de um direito básico de atendimento e a expulsão de um serviço essencial.
